O que mexeu com o seu dinheiro ontem
Bom dia! O café está quente e, pelo menos ontem, o petróleo resolveu esfriar um pouco. Depois de semanas em que qualquer notícia do Oriente Médio fazia o mercado prender a respiração, a segunda-feira trouxe um pouco de alívio.
Mercado brasileiro: Bolsa sobe e dólar recua
O Ibovespa encerrou segunda-feira aos 186.595,60 pontos, alta de 0,74%. O dólar à vista caiu cerca de 0,70%, para R$ 5,1084. Bancos tiveram um dia positivo: BTG Pactual avançou 3,42%, Itaú 1,77% e Santander Brasil 1,53%.
Um detalhe importante veio do Boletim Focus: a projeção do mercado para a Selic no fim de 2026 caiu de 13,75% para 13,50%, enquanto a previsão do IPCA passou de 4,90% para 4,92%.
Crédito: Investalk/BB — Patrícia Queiroz (Broadcast); Exame — Clara Assunção.
🌍 Geopolítica: petróleo finalmente tirou o pé do acelerador
Aqui está uma das histórias mais importantes do dia. O Brent caiu 3,40%, para US$ 100,34, enquanto o WTI despencou 4,51%, para US$ 95,78.
O movimento veio com expectativas de algum avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã, incluindo a possibilidade de encontro entre Donald Trump e Masoud Pezeshkian durante a Assembleia Geral da ONU. Ao mesmo tempo, os fluxos de petróleo do Oriente Médio mostraram alguma resiliência.
Traduzindo para quem não toma café olhando gráfico: menos tensão no petróleo reduz um pouco o medo de nova pressão inflacionária mundial.
Crédito: Exame — Clara Assunção.
🤖 Tecnologia: IA voltou a acelerar Wall Street
Enquanto o petróleo caiu, tecnologia disparou. O Nasdaq avançou 2,26% e atingiu recorde de fechamento, enquanto o S&P 500 ganhou 1,49%. A AMD saltou cerca de 10%, levando seu valor de mercado para acima de US$ 1 trilhão, em meio ao entusiasmo renovado com inteligência artificial.
Ou seja: o petróleo esfriou e a IA tomou mais uma xícara de café.
Crédito: Associated Press; The Wall Street Journal.
🟢 Ação que mais subiu no Ibovespa: Hapvida
A HAPV3 disparou 8,05%, encerrando a R$ 6,71 e liderando a carteira do Ibovespa. C&A veio logo depois, +6,60%, e CSN avançou 6,50%.
🔴 Ação que mais caiu: PRIO
A PRIO3 caiu 3,46%, para R$ 61,05, sendo a maior queda da carteira do Ibovespa.
Aqui a ligação é bem mais clara: a companhia está diretamente exposta ao petróleo, justamente a commodity que despencou no mercado internacional durante o pregão. Petrobras também sentiu o movimento: PETR3 caiu 0,99% e PETR4, 1,03%.
Crédito: B3/Bora Investir; Exame — Clara Assunção.
☕ Nota do Editor
Começamos a semana com o pé direito. O mercado trouxe sinais positivos, mas alguns movimentos ainda me deixam cauteloso.
Na minha visão, antecipar uma queda mais forte dos juros antes da conclusão do processo eleitoral exige muita prudência. Os candidatos apresentam visões diferentes para a condução da economia, e o resultado das urnas poderá influenciar expectativas sobre política fiscal, inflação e, consequentemente, o caminho da taxa de juros.
Por outro lado, sigo acreditando cada vez mais no potencial energético do Brasil. Em um mundo que demanda quantidades crescentes de energia — especialmente com o avanço da inteligência artificial e dos grandes centros de processamento de dados — o país possui ativos que podem se tornar ainda mais estratégicos.
Também vejo o avanço da inteligência artificial com bastante otimismo. A tecnologia pode elevar produtividade, criar novos mercados e transformar profundamente a economia. Evidentemente haverá desafios, mas acredito que seu impacto econômico tende a abrir oportunidades importantes.
Minha maior apreensão neste momento está nos combustíveis e na inflação. O conflito internacional continua pressionando o petróleo, e qualquer prolongamento desse cenário merece atenção. Mesmo quando o impacto não aparece imediatamente na bomba, custos maiores de energia podem percorrer toda a economia: transporte, produção, alimentos e serviços.
No fim, é justamente aí que fica a grande pergunta desta semana:
até quando o Brasil conseguirá absorver essas pressões externas antes que elas apareçam com mais força na mesa e no bolso do brasileiro?
O que nos aguarda? Os próximos capítulos serão escritos pelo petróleo, pelos juros, pela política e por uma tecnologia que avança mais rápido a cada dia.
Editor – Luiz Augusto, Economista e Investidor | Finanças com Café
