O que movimentou o mercado ontem
O mercado brasileiro começou a terça meio desconfiado, mas terminou melhor do que começou. O Ibovespa fechou em alta de 0,44%, aos 187.422 pontos, enquanto o dólar terminou praticamente estável, perto de R$ 5,10.
Copom pede calma
A ata do Copom detalhou a decisão de reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano, mas deixou claro que os próximos passos dependerão da evolução da inflação e da economia.
Ou seja: o Banco Central abriu a porta para novos cortes, mas não colocou uma placa dizendo “pode entrar”.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Fazenda reduziu sua projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2026, de 2,3% para 2%.
Petróleo abaixo dos US$ 100
O Brent voltou para baixo dos US$ 100, com o mercado reagindo à perspectiva de negociações entre Estados Unidos e Irã e à melhora no fluxo de petróleo pelo Oriente Médio. A CNN registrou o Brent perto de US$ 99,25 durante o fechamento.
Isso interessa muito ao Brasil. Petróleo mais barato pode diminuir parte da pressão internacional sobre inflação e combustíveis — justamente o ponto que levantamos ontem na nossa Nota do Editor.
Mas ainda existe tensão no Oriente Médio. Portanto, chamar isso de problema resolvido seria prematuro.
Fonte: CNN Brasil
Maior alta do Ibovespa — Alpargatas
A ALPA4 subiu 4,70%, fechando a R$ 13,80, e aparece como a maior valorização da carteira do Ibovespa no levantamento do pregão.
Maior queda — Vivara
A VIVA3 caiu 4,37%, para R$ 22,78, depois de ter subido 5,49% no pregão anterior. O volume negociado chegou a aproximadamente 9,26 milhões de ações.
Nota do Editor
Ontem, o mercado global permaneceu em compasso de observação. E uma pergunta continua na minha cabeça: estamos realmente nos aproximando do fim — ou pelo menos de uma desescalada — do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã?
O petróleo recuou diante das expectativas de negociação, mas ainda considero cedo para comemorar. Os efeitos desse conflito sobre o Brasil podem aparecer com algum atraso, principalmente nos combustíveis e, posteriormente, na inflação.
O governo adotou medidas para amortecer esse impacto. Houve redução de tributos sobre gasolina e etanol e ampliação do subsídio ao diesel; a Petrobras também aderiu ao programa que manteve seu preço do diesel às distribuidoras sem alteração mesmo diante do aumento anunciado.
Isso traz alívio no curto prazo. Minha preocupação está no que acontece depois.
O Brasil ainda depende de importações para aproximadamente 25% de sua demanda de diesel, e a diferença entre os preços internacionais e domésticos chegou recentemente a níveis recordes. Portanto, continuo atento ao risco de parte dessa pressão acabar chegando ao transporte, à produção e, finalmente, à mesa do brasileiro.
Na Bolsa, minha postura permanece cautelosa. Existem empresas e preços que considero interessantes, mas pessoalmente pretendo manter caixa e ficar fora de novas compras até o fim deste ano, esperando maior clareza sobre inflação, petróleo, juros e principalmente o cenário eleitoral. Isso não significa afirmar que uma queda maior acontecerá; significa estar preparado caso ela aconteça.
Na tecnologia, sigo pelo caminho contrário: cada dia fico mais fascinado com o avanço da inteligência artificial. A Meta mostrou isso novamente com o Muse. Desde o lançamento, as ações da companhia avançaram mais de 20%, enquanto o novo agente de IA ultrapassou 2,5 milhões de downloads em poucas semanas.
E existe uma consequência econômica dessa revolução que continuo observando de perto: energia. Data centers, chips e toda essa infraestrutura precisam de eletricidade em enorme escala. Por isso, considero o setor elétrico uma peça particularmente interessante para acompanhar conforme a infraestrutura de IA cresce.
Por fim, chego à questão que talvez seja a mais difícil de precificar neste momento: a eleição brasileira de 2026.
O Banco Central já reduziu a Selic para 13,75%, mas continua sinalizando cautela diante da inflação e das incertezas à frente. Minha atenção agora está em quanto dessa incerteza eleitoral ainda será incorporada aos juros, ao câmbio, à Bolsa e às decisões de investimento.
No fim das contas, talvez a pergunta não seja apenas quem vencerá a eleição. Para o mercado e para o brasileiro, existe outra: qual será o preço econômico de chegarmos até ela?
— Luiz Augusto, Economista e Investidor | Finanças com Café
