Novo teto do MEI é sancionado: limite chegará a R$ 140 mil e lei prevê perdão de dívidas
Nova legislação promete aliviar o bolso de milhões de pequenos empreendedores brasileiros. Mas será que a mudança é tão vantajosa quanto parece? Entenda os detalhes.
O Microempreendedor Individual (MEI) acaba de receber uma das mudanças mais importantes dos últimos anos.
Na quarta-feira, 21 de outubro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Complementar nº 238/2026, que aumenta o limite de faturamento do MEI, amplia a possibilidade de contratação de funcionários e estabelece o perdão de determinadas dívidas federais.
A medida faz parte do pacote Prospera MEI e pode alcançar um universo de aproximadamente 17,6 milhões de microempreendedores brasileiros, segundo dados divulgados pelo governo federal.
Mas atenção: o limite não passa imediatamente para R$ 140 mil. O aumento será gradual, começando em 2027.
E é justamente aqui que muita gente pode acabar se confundindo.
Qual será o novo limite de faturamento do MEI?
A nova lei estabelece dois momentos para o aumento do faturamento anual permitido.
| Ano | Teto anual | Média mensal |
|---|---|---|
| 2026 | R$ 81.000 | R$ 6.750 |
| 2027 | R$ 110.000 | R$ 9.166,67 |
| 2028 | R$ 140.000 | R$ 11.666,67 |
Fonte: Lei Complementar nº 238/2026. A média mensal é apenas uma referência, não um limite rígido de faturamento por mês.
Evolução do teto anual do MEI
Valores em reais, conforme a nova legislação
R$ 0R$ 40.000R$ 80.000R$ 120.000R$ 160.000202620272028
Isso significa que, em 2027, um MEI poderá faturar R$ 29 mil a mais por ano em comparação com 2026, um aumento aproximado de 35,8%.
Já em 2028, o aumento acumulado chegará a aproximadamente 72,8% sobre o limite de R$ 81 mil.
Vale ressaltar que faturamento não é lucro. Um negócio que vende R$ 10 mil por mês não necessariamente coloca esse valor no bolso do proprietário. Existem fornecedores, transporte, aluguel, salários e outras despesas.
Os valores e as datas estão estabelecidos na nova lei, que também condiciona a ampliação dos limites à consideração dos impactos fiscais nos orçamentos correspondentes.
Por que o governo decidiu aumentar o teto?
Durante anos, pequenos empreendedores enfrentaram uma situação curiosa: seus negócios cresciam, mas o limite do MEI permanecia praticamente parado.
Imagine uma costureira que, depois de anos de esforço, conquistou novos clientes. Ou um eletricista que começou a receber mais contratos.
O crescimento das vendas poderia obrigar esses profissionais a deixar o regime simplificado, mesmo quando a estrutura do negócio continuava pequena.
A atualização busca diminuir essa barreira.
Entre os objetivos apontados pelo governo estão facilitar a formalização, permitir que mais pequenos negócios permaneçam no regime e reduzir parte da burocracia associada ao crescimento da empresa.
MEI poderá contratar até dois funcionários
Outra mudança importante envolve a contratação de trabalhadores.
Até então, o MEI podia contratar apenas um empregado. Com a nova legislação, poderá ter até dois.
A ampliação está prevista para produzir efeitos a partir de janeiro de 2027, respeitando as regras de remuneração e os direitos trabalhistas.
Na prática, isso pode beneficiar pequenos mercados, oficinas, salões de beleza e outros negócios que precisam de ajuda para atender à demanda.
Entretanto, mais funcionários também representam maiores custos.
Além do salário, o empreendedor precisa considerar encargos, obrigações trabalhistas e a própria capacidade de manter a folha de pagamento.
Contratar mais pessoas pode aumentar a produtividade, mas não garante aumento do lucro.
Governo também prevê perdão de dívidas do MEI
Essa talvez seja a parte mais chamativa do pacote.
A Lei Complementar nº 238/2026 estabelece a remissão integral de determinados débitos federais associados ao MEI, constituídos dentro das condições legais e abrangidos pelo marco de 13 de outubro de 2026.
A medida contempla contribuições previdenciárias atrasadas e encargos relacionados, podendo incluir juros, multas e valores em parcelamentos.
Mas isso não significa que qualquer dívida de um empreendedor será apagada.
Por exemplo, empréstimos pessoais, financiamentos bancários e dívidas com fornecedores não são automaticamente perdoados por essa lei.
Além disso, quem receber o benefício deverá manter em dia os recolhimentos mensais exigidos durante os seis meses seguintes à entrada em vigor das medidas de remissão, em janeiro de 2027.
O descumprimento pode provocar o cancelamento do benefício. A operacionalização deverá observar a regulamentação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Quem já pagou suas dívidas receberá o dinheiro de volta?
Não.
A legislação não determina a devolução de valores pagos anteriormente.
Por exemplo, um empreendedor que quitou integralmente uma dívida antes da entrada em vigor da lei não poderá exigir o reembolso apenas porque outro contribuinte teve um débito semelhante perdoado.
Esse ponto provavelmente provocará discussões sobre justiça tributária e tratamento entre contribuintes.
Quais são os pontos positivos da nova lei?
Mais espaço para pequenos negócios crescerem
A elevação do teto reduz o risco de desenquadramento de empreendedores que estão próximos do limite atual.
Incentivo à formalização
Um regime mais acessível pode estimular trabalhadores informais a abrir um CNPJ.
Possibilidade de gerar empregos
A autorização para dois funcionários aumenta a capacidade de expansão de negócios menores.
Alívio para contribuintes endividados
A remissão pode ajudar pequenos empreendedores a reorganizar sua vida financeira e recuperar a regularidade fiscal.

E quais são os pontos negativos?
Nem tudo é simples quando falamos de impostos, gastos públicos e incentivos econômicos.
1. Impacto nas contas públicas. A ampliação do regime simplificado pode reduzir a arrecadação em relação à tributação que seria aplicada a alguns negócios fora do MEI. É importante acompanhar as estimativas oficiais e as compensações orçamentárias.
2. Debate sobre justiça tributária. Quem fez sacrifícios para manter as contribuições em dia pode questionar o perdão concedido aos inadimplentes. Por outro lado, o governo argumenta que parte dessas dívidas tinha baixa perspectiva de recuperação.
3. Risco de endividamento recorrente. Um perdão sem mecanismos de acompanhamento pode criar expectativas de futuras renegociações e enfraquecer os incentivos à regularidade.
4. Crescimento sem planejamento. O aumento do teto não resolve automaticamente problemas de gestão. Uma empresa pode vender mais e continuar sem caixa.
A pergunta, portanto, não deve ser apenas quanto o MEI poderá faturar, mas como transformar essa receita adicional em rentabilidade e sustentabilidade financeira.
Vale a pena continuar como MEI com o novo teto?
Para muitos profissionais, sim. A possibilidade de permanecer em um regime simplificado com maior faturamento pode reduzir custos administrativos e facilitar o crescimento.
Mas a decisão depende de fatores como margem de lucro, atividade econômica, número de funcionários e planejamento tributário.
Imagine dois empreendedores que faturam R$ 100 mil por ano.
O primeiro trabalha sozinho, presta serviços e possui poucas despesas operacionais.
O segundo mantém uma pequena loja, com aluguel, estoque, energia elétrica e funcionários.
Mesmo com faturamento idêntico, os resultados financeiros dos dois negócios podem ser completamente diferentes.
Por isso, antes de tomar decisões importantes, vale consultar um contador e comparar as possibilidades de enquadramento.
O que o MEI precisa fazer agora?
Em outubro de 2026, o limite aplicável ainda é de R$ 81 mil anuais.
O empreendedor deve continuar acompanhando seu faturamento, pagando as obrigações devidas e mantendo seus registros organizados.
Quem possui débitos antigos pode consultar a situação pelos canais oficiais da Receita Federal e da PGFN, evitando intermediários que prometem apagar dívidas mediante pagamentos antecipados.
A nova lei representa uma oportunidade de reorganização, mas não elimina a necessidade de gestão financeira.
Uma vitória para o pequeno empreendedor?
A atualização do teto do MEI representa uma mudança positiva para quem enfrenta dificuldades para crescer dentro dos limites atuais.
O aumento gradual do faturamento permitido, a possibilidade de contratar mais trabalhadores e o tratamento de dívidas antigas podem ajudar a fortalecer milhões de pequenos negócios.
Entretanto, a eficácia da medida dependerá de sua implementação, do comportamento dos empreendedores e dos efeitos sobre as contas públicas.
O Brasil precisa incentivar quem produz, vende e gera empregos. Mas também precisa criar condições para que esses negócios sejam sustentáveis sem depender constantemente de renegociações e benefícios temporários.
No fim das contas, crescer é importante. Crescer com lucro, organização e responsabilidade financeira é ainda melhor.
E você, acredita que o novo teto do MEI será suficiente para ajudar os pequenos empreendedores ou o governo deveria ir além?
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FAQ — Novo teto do MEI 2026: perguntas frequentes
1. Qual é o novo teto do MEI 2026?
O novo teto do MEI 2026 faz parte da Lei Complementar nº 238/2026. O limite de faturamento permanece em R$ 81 mil em 2026, com aumento previsto para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.
2. Quando o novo teto do MEI 2026 começa a valer?
O novo teto do MEI 2026 será aplicado gradualmente. O primeiro aumento está previsto para janeiro de 2027, quando o limite anual passará para R$ 110 mil. Em 2028, chegará a R$ 140 mil.
3. O novo teto do MEI 2026 foi aprovado pelo governo Lula?
Sim. O presidente Lula sancionou a Lei Complementar nº 238/2026 em 21 de outubro de 2026. A legislação estabelece novos limites de faturamento e outras mudanças para os microempreendedores individuais.
4. O novo teto do MEI 2026 permite faturar R$ 140 mil por ano?
Não imediatamente. Embora o novo teto do MEI 2026 estabeleça um cronograma de aumento, o limite de R$ 140 mil está previsto apenas para 2028. Durante 2026, o teto continua sendo de R$ 81 mil anuais.
5. O novo teto do MEI 2026 também inclui perdão de dívidas?
Sim. A nova legislação prevê o perdão de determinados débitos tributários federais dos microempreendedores. Entretanto, empréstimos bancários, financiamentos e dívidas particulares não são automaticamente incluídos no benefício.
6. Com o novo teto do MEI 2026, será possível contratar dois funcionários?
Sim. Uma das mudanças previstas na legislação é permitir que o MEI contrate até dois empregados, respeitando as regras trabalhistas. A medida busca facilitar o crescimento dos pequenos negócios.
7. O novo teto do MEI 2026 vai aumentar o valor do DAS?
O aumento do limite de faturamento não significa, por si só, um reajuste proporcional do DAS. O valor mensal continuará seguindo as regras de contribuição aplicáveis ao MEI, incluindo os reajustes vinculados ao salário mínimo.
8. Quem será beneficiado pelo novo teto do MEI 2026?
O novo teto do MEI 2026 poderá beneficiar principalmente pequenos comerciantes, prestadores de serviços e trabalhadores autônomos que estão próximos do limite atual de faturamento e desejam expandir suas atividades mantendo um regime tributário simplificado.
9. Vale a pena continuar como MEI depois do aumento do teto?
Para muitos empreendedores, sim. O aumento do limite pode permitir maior faturamento com menos burocracia. Entretanto, é importante avaliar custos, margem de lucro, contratação de funcionários e obrigações tributárias antes de decidir.
10. Como se preparar para o novo teto do MEI 2026?
O ideal é organizar o controle financeiro, acompanhar o faturamento anual, manter as contribuições em dia e consultar um contador quando necessário. Assim, o empreendedor poderá aproveitar as mudanças previstas sem comprometer a saúde financeira do negócio.
Fontes e referências
1. Presidência da República — Lei Complementar nº 238/2026 Texto oficial da lei sancionada em 21 de outubro de 2026. Confirma o aumento do teto, a ampliação do número de empregados e as regras para o perdão de dívidas. Consultar a lei completa.
2. Agência Brasil — Sancionada lei que perdoa dívida e aumenta limite de MEI Publicada em 21 de outubro de 2026. Explica quem será beneficiado, o calendário de mudanças e as condições para o perdão de dívidas. Ler reportagem completa.
3. Senado Federal — Nova lei amplia limite de faturamento do MEI e prevê perdão de dívidas Notícia oficial de 21 de outubro de 2026, confirmando a publicação da legislação e os prazos de implementação. Ler notícia do Senado.
4. Ministério do Empreendedorismo — Pacote Prospera MEI Explica os objetivos econômicos da medida, incluindo formalização, renegociação de débitos e estímulo aos pequenos negócios. Consultar publicação do governo.
5. FENACON — Sancionada lei que amplia limite de faturamento do MEI Publicação de 22 de outubro de 2026, com uma abordagem voltada ao setor contábil. Ler análise da FENACON.
