O que mexeu no seu dinheiro ontem

O que mexeu no seu dinheiro ontem

O que movimentou o seu dinheiro ontem

Ontem foi aquele clássico dia em que o mercado acorda com uma ideia e termina pensando em outra. Depois de duas altas consecutivas, o Ibovespa caiu 0,86%, aos 185.814 pontos. O dólar avançou 1,27%, fechando a R$ 5,1689, maior fechamento desde 31 de agosto.

Bolsa cai e eleição começa a pesar

Além do cenário internacional, o mercado brasileiro reagiu a uma nova pesquisa eleitoral. A pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, mas os dois permaneceram em empate técnico. Analistas ouvidos pela CNN apontaram que o cenário eleitoral aberto vem aumentando a volatilidade de câmbio, Bolsa e juros.

O petróleo voltou acima dos US$ 100

Ontem nós perguntávamos se a situação entre Estados Unidos e Irã estava caminhando para uma solução.

Um dia depois, o mercado ficou bem menos otimista.

O Brent voltou a superar US$ 100, depois de cinco sessões consecutivas de queda. Um navio foi atacado no Estreito de Ormuz, enquanto o discurso do presidente iraniano Masoud Pezeshkian na ONU foi interpretado pelo mercado como mais duro do que se esperava.

Essa história merece nossa atenção porque petróleo caro pode voltar a alimentar pressão sobre combustíveis, transporte e inflação.

Juros americanos assustam o mercado

Tem outra história enorme acontecendo. O PMI composto americano avançou para 58,4, maior nível desde julho de 2021. Com uma economia ainda mostrando força, investidores aumentaram as apostas de que os juros americanos poderão permanecer elevados — ou até voltar a subir.

O rendimento do Treasury americano de dez anos chegou a aproximadamente 5,05%, maior nível desde 2007. Wall Street respondeu negativamente, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuando.

Agora os olhos estão em Trump e Xi

Depois da euforia recente com IA, ontem o setor tecnológico também entrou em modo de espera.

O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping ganhou importância porque inteligência artificial, semicondutores e comércio estão no centro da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Apesar da rivalidade, os dois ecossistemas financeiros continuam profundamente conectados.

E a IA continua entregando números impressionantes: o novo agente Muse ajudou a renovar o entusiasmo em torno da Meta, enquanto a AMD recentemente ultrapassou US$ 1 trilhão em valor de mercado em meio à demanda por infraestrutura de IA.

Maior alta foi a Cosan

A CSAN3 avançou 4,01%, para R$ 3,89, liderando as altas da carteira do Ibovespa. Magazine Luiza apareceu logo depois, com +3,73%, seguida pela Vamos, com +2,99%.

Maior queda foi Tenda

Na outra ponta, TEND3 despencou 6,02%, para R$ 27,31. Engie caiu 4,27%, Cogna perdeu 4,17% e Cury recuou 3,81%.

Nota do Editor

Há muito tempo eu não acompanhava um mercado global tão conturbado. A guerra, que inicialmente parecia um problema distante para boa parte do mercado americano, começa a entrar com mais força nas contas dos investidores. Petróleo, inflação e juros se misturam em um cenário no qual até os títulos de dez anos do Tesouro americano voltaram a oferecer rendimentos próximos ou superiores a 5%.

E isso me leva diretamente ao Brasil.

Durante algum tempo, esperei que nossos juros elevados atraíssem um volume maior de capital estrangeiro para o país. Mas agora existe uma pergunta que considero fundamental:

Você trocaria um retorno próximo de 5% em dólar por 13,75% em real?

A diferença parece enorme olhando apenas para os números. Só que o investidor estrangeiro precisa colocar nessa conta o câmbio, o risco fiscal, a inflação, a eleição brasileira e a volatilidade de um mercado emergente.

Por isso, acredito que o apetite por risco do investidor internacional será uma das variáveis mais importantes para definir o caminho do nosso mercado nos próximos meses.

E então chegamos à tecnologia…

Se o mercado financeiro me deixou cauteloso ontem, a tecnologia fez exatamente o contrário.

A Xiaomi apresentou a nova família Xiaomi 18 Pro, incluindo versões com tela traseira, câmeras Leica e edições transparentes bastante diferentes visualmente.

E a Meta continua avançando com o Muse. O agente de inteligência artificial já ultrapassou 2,5 milhões de downloads poucas semanas depois do lançamento e consegue executar tarefas como compras, e-mails e reservas em nome do usuário. A empresa agora testa inclusive recursos em que o Muse realiza ligações para resolver tarefas.

Estamos deixando rapidamente a época em que inteligência artificial significava simplesmente conversar com um chatbot.

Estamos entrando na era em que ela age. Compra. Pesquisa. Organiza. Negocia. Reserva. Liga. Executa. E talvez essa tenha sido a parte mais fascinante do dia para mim. Em meio a guerras, inflação, juros, petróleo e eleições, existe uma revolução tecnológica acontecendo quase silenciosamente diante dos nossos olhos. E termino o café de hoje não com uma previsão, mas com uma pergunta:

ONDE A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL VAI NOS LEVAR?


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