Samsung acelera produção de memória para IA e revela como a inteligência artificial está mudando o mercado de chips
A inteligência artificial está mudando não apenas os softwares que usamos, mas também a maneira como o mundo fabrica semicondutores.
A Samsung Electronics afirmou que as memórias HBM — fundamentais para os aceleradores utilizados em inteligência artificial — poderão representar quase 30% da capacidade global de produção de wafers de DRAM em 2027.
Atualmente, essa participação está próxima de 20%.Pode parecer apenas mais um número da indústria de semicondutores. Mas ele revela uma transformação muito maior: a infraestrutura necessária para sustentar a inteligência artificial está começando a disputar espaço dentro das próprias fábricas de chips
O que é HBM e por que a IA precisa tanto dela?
HBM significa High-Bandwidth Memory, ou memória de alta largura de banda.
Enquanto processadores de inteligência artificial realizam quantidades gigantescas de cálculos, eles precisam receber e transferir enormes volumes de dados em alta velocidade.
É aí que entra a HBM.
Em vez de depender apenas de memórias convencionais, sistemas avançados de IA utilizam chips de memória empilhados, capazes de fornecer muito mais dados aos processadores em períodos extremamente curtos.
Quanto maiores ficam os modelos e os data centers, maior tende a ser essa necessidade.

IA começa a disputar espaço com a memória tradicional
Existe, porém, uma consequência importante.
HBM e DRAM convencional utilizam parte da mesma capacidade industrial.
Isso significa que direcionar mais wafers para a fabricação de HBM pode limitar a capacidade disponível para produzir determinados tipos de memória tradicional.
A própria Samsung destacou essa relação ao projetar o crescimento da HBM.
Portanto, a corrida pela inteligência artificial começa a produzir efeitos muito além das empresas que desenvolvem modelos de IA.
Smartphones, computadores, servidores e outros eletrônicos fazem parte de uma cadeia global de semicondutores que está sendo reorganizada.
Samsung quer aproveitar essa transformação
A Samsung não está apenas aumentando sua produção.
A companhia vem construindo uma estratégia muito maior em torno da infraestrutura de inteligência artificial.
A empresa já comercializa sua geração HBM4 e informou anteriormente que espera mais que triplicar suas vendas de HBM em 2026 na comparação com 2025.
Também começou a enviar amostras da HBM4E, geração seguinte da tecnologia, para grandes clientes.
Paralelamente, Samsung e ASML ampliaram recentemente sua cooperação em tecnologias avançadas de fabricação.
A companhia sul-coreana planeja utilizar High NA EUV na produção em grande escala de DRAM de próxima geração até 2028.
É uma corrida por capacidade, eficiência e, principalmente, velocidade.
US$ 1 bilhão em infraestrutura de inteligência artificial
E a estratégia da Samsung não termina nos chips.
Samsung Electronics e outras empresas do conglomerado comprometeram US$ 1 bilhão com a Helix Digital, companhia de infraestrutura de inteligência artificial apoiada pela KKR.
A Samsung Electronics ficará responsável diretamente por US$ 500 milhões. Outros US$ 500 milhões virão de diferentes empresas do grupo.
Isso ajuda a mostrar a dimensão da transformação.
A Samsung pode ganhar com a inteligência artificial de diferentes maneiras: fornecendo memória, participando da fabricação de semicondutores e se posicionando dentro da infraestrutura necessária para sustentar data centers.

A Coreia do Sul também está colhendo os resultados
A corrida da inteligência artificial já começa a aparecer nos números da economia sul-coreana.
Nos primeiros 20 dias de setembro, as exportações de semicondutores da Coreia do Sul cresceram 259,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.Uma pesquisa da Reuters com economistas projeta que as exportações totais do país tenham avançado pelo 16º mês consecutivo em setembro, impulsionadas principalmente pela forte demanda internacional por semicondutores relacionados à expansão da infraestrutura de IA.
Samsung e SK Hynix estão no centro desse movimento.E isso mostra algo importante: quando bilhões são investidos em inteligência artificial nos Estados Unidos, Europa ou China, parte desse dinheiro percorre uma enorme cadeia internacional antes que um novo data center seja ligado.
O próximo gargalo da inteligência artificial pode não ser o processador
Durante muito tempo, Nvidia e GPUs dominaram praticamente toda a conversa sobre hardware para inteligência artificial.
Mas um processador extremamente poderoso não consegue trabalhar em sua capacidade máxima se os dados não chegarem até ele rapidamente.
Memória, energia, redes, refrigeração e capacidade de fabricação estão se tornando peças cada vez mais estratégicas dessa corrida.
É justamente por isso que empresas como Samsung e SK Hynix ganharam tanta importância.
A inteligência artificial está deixando claro que não existe apenas uma corrida pelo melhor modelo.

Nota do Editor☕️
Acompanho a Samsung praticamente desde que me conheço por gente. Meu celular hoje é um Samsung, e é difícil ignorar o tamanho da história que essa empresa construiu no mercado de tecnologia.
Durante décadas, vimos a companhia competir em diferentes frentes e, muitas vezes, se posicionar entre as primeiras quando uma nova transformação tecnológica começa a ganhar força.
Agora, a mensagem parece ainda mais clara: a Samsung acredita que a inteligência artificial é o futuro.
Memórias HBM, semicondutores, novas fábricas e bilhões destinados à infraestrutura de IA mostram uma empresa colocando suas cartas na mesa. A Samsung não parece querer participar dessa revolução apenas como fornecedora de celulares ou eletrônicos. Ela quer ocupar uma posição estratégica na infraestrutura que fará a inteligência artificial funcionar.
E talvez essa seja a parte mais interessante.
Enquanto boa parte do público olha para quem terá o melhor chatbot ou o melhor modelo de IA, existe outra corrida acontecendo nos bastidores: quem fornecerá os chips, as memórias e a infraestrutura necessária para sustentar tudo isso?
A Samsung parece ter entendido que, na era da inteligência artificial, talvez seja tão importante fornecer as ferramentas da corrida quanto disputar diretamente a linha de chegada.
É uma aposta gigantesca — e nenhuma transformação tecnológica vem sem riscos. Mas a companhia deixou claro onde acredita que estará uma parte importante do futuro.
E você: acredita que a Samsung está fazendo a aposta certa ao colocar tantas fichas na era da inteligência artificial?
